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Mostrando postagens de 2017

Análise do Poema "Redenção", de Antero de Quental

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Redenção
Vozes do mar, das árvores, do vento! Quando às vezes, n’um sonho doloroso, Me embala o vosso canto poderoso, Eu julgo igual ao meu vosso tormento...
Verbo crepuscular e íntimo alento Das cousas mudas; salmo misterioso; Não serás tu, queixume vaporoso, O suspiro do Mundo e o seu lamento?
Um espírito habita a imensidade: Uma ânsia cruel de liberdade Agita e abala as formas fugitivas.
E eu compreendo a vossa língua estranha, Vozes do mar, da selva, da montanha... Almas irmãs da minha, almas cativas!
Antero de Quental
A poesia, por mais subjetiva que se presuma ser, revela contradições que pertencem ao mundo objetivo. Adorno ensina que o teor social da lírica advém daquilo que há nela de espontâneo. A própria materialidade do poema já revela contradições significativas. O poema em análise apresenta-se sob a forma de um soneto, uma forma recorrente, clássica. O conteúdo de Redenção, no entanto, não é clássico: é tipicamente moderno. Os versos decassílabos apresentam rimas consoantes, interpol…

Cidadania no Brasil

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Texto: CARVALHO. José Murilo de. “Introdução: Mapa da viagem.” ; “Conclusão: A cidadania na encruzilhada” Em Cidadania no Brasil O longo Caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. pp. 7-13; 219-229
Carvalho traz uma reflexão extremamente pertinente a respeito dos caminhos percorridos pela democracia brasileira rumo à conquista da cidadania. O autor explica que o fim da ditadura militar, em 1985, criou grandes expectativas em relação aos resultados que seriam gerados pela redemocratização. No entanto, essas expectativas não foram completamente satisfeitas. Segundo Carvalho, conquistou-se a garantia da liberdade de pensamento e de manifestação e a garantia da participação pelo voto, mas ainda resta um longo caminho rumo à conquista de segurança, emprego, desenvolvimento e justiça social. Como consequência, tem-se o desgaste das instituições democráticas já implementadas. Para Carvalho, o que está no cerne desse descompasso é o “problema da cidadania”. O autor expliqua que “o …

A mídia e a construção da identidade nacional do cidadão brasileiro

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INTRODUÇÃO O acesso à informação por intermédio dos meios de comunicação de massa é visto, por grande parte da população, como o meio mais eficaz e rápido de se informar a respeito de problemas da atualidade, política, segurança pública, entre outros. No entanto, a sociedade brasileira não tem uma cultura crítica e recebe de forma passiva grande parte das informações trazidas pelos noticiários e programas televisivos. Dessa forma, em momentos de crise, a sociedade passa a se apoiar quase que exclusivamente nos pontos de vista e abordagens apresentados de forma recorrente pela televisão e pelos jornais e revistas de grande circulação. Um dos riscos apresentados por essa tendência é o condicionamento ideológico da população na direção apontada pela mídia e o seu consequente condicionamento comportamental. Em tempos de crise, a mídia tende a focar em assuntos polêmicos, mais passíveis de alcançar audiência, muitas vezes sem se abster de apresentar um posicionamento ideológico específico, …

Sistemas eleitorais

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Texto: NICOLAU, Jairo. “Cap.1 – Sistemas majoritários; Cap.2 – Sistemas proporcionais”. In: Sistemas eleitorais. 5ª Edição; Rio de Janeiro: FGV, 2004, pp. 17-61
No Capítulo 1, Nicolau aborda os sistemas eleitorais majoritários, entendidos como aqueles em que os candidatos mais votados são os únicos que alcançam representação. O autor aborda separadamente os sistemas de maioria simples, de dois turnos e de voto alternativo. No sistema de maioria simples, o candidato eleito é que o recebe mais votos que seus representantes. Esse sistema tem sido utilizado no Reino Unido desde 1264, quando surgiu o Parlamento. O território inglês divide-se em 659 distritos, sendo que cada partido pode apresentar apenas um candidato por distrito (sistema de maioria simples em distrito uninominal). Segundo Nicolau, as críticas a esse sistema apontam para distorções de representação. No entanto, seus defensores argumentam que ele permite que os eleitores tenham um maior grau de controle dos representantes el…

Judicialização, ativismo judicial e legitimidade democrática. (BARROSO, Luís Roberto.)

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Texto: BARROSO, Luís Roberto. Judicialização, ativismo judicial e legitimidade democrática. Em seu artigo, Barroso aborda os fenômenos da judicialização e do ativismo judicial no Brasil, apontando as diferenças entre eles e as consequências positivas e negativas que geram nos cenários político e jurídico nacionais. Segundo o autor, a judicialização ocorre quando “questões de larga repercussão política ou social estão sendo decididas por órgãos do Poder Judiciário, e não pelas instâncias políticas tradicionais: o Congresso Nacional e o Poder Executivo” (BARROSO, p. 3). Para o autor, esse fenômeno não é exclusividade do Brasil, mas algumas de suas causas seriam decorrentes de nossa organização institucional. A primeira causa apontada por Barroso foi a redemocratização que levou à promulgação da Constituição Federal de 1988 e que tornou a Justiça brasileira, mais especificamente o Supremo Tribunal Federal, mais independente e politicamente ativo. Além disso, ela trouxe conscientização à p…