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Análise do Poema "Redenção", de Antero de Quental

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Redenção
Vozes do mar, das árvores, do vento! Quando às vezes, n’um sonho doloroso, Me embala o vosso canto poderoso, Eu julgo igual ao meu vosso tormento...
Verbo crepuscular e íntimo alento Das cousas mudas; salmo misterioso; Não serás tu, queixume vaporoso, O suspiro do Mundo e o seu lamento?
Um espírito habita a imensidade: Uma ânsia cruel de liberdade Agita e abala as formas fugitivas.
E eu compreendo a vossa língua estranha, Vozes do mar, da selva, da montanha... Almas irmãs da minha, almas cativas!
Antero de Quental
A poesia, por mais subjetiva que se presuma ser, revela contradições que pertencem ao mundo objetivo. Adorno ensina que o teor social da lírica advém daquilo que há nela de espontâneo. A própria materialidade do poema já revela contradições significativas. O poema em análise apresenta-se sob a forma de um soneto, uma forma recorrente, clássica. O conteúdo de Redenção, no entanto, não é clássico: é tipicamente moderno. Os versos decassílabos apresentam rimas consoantes, interpol…